terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Provocações para professores de História: o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena em sala de aula


A lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003 é claríssima no que diz respeito ao ensino da história e da cultura de dois povos que por muito tempo permaneceram como atores coadjuvantes na história do Brasil. Uma história eurocêntrica do Brasil foi alimentada por séculos, o que causou a exclusão de índios e negros de papéis importantes na historiografia e reflete na memória do brasileiro nos dias atuais.
Muitas instituições de ensino superior e profissionais da área de educação dobraram-se para estarem de acordo com a lei e agora temos uma base do que será a História do Brasil em um futuro próximo. Atualmente existem cursos de formação específica nas áreas para dar subsídios e apoio para os profissionais da educação trabalharem com os temas. Estudos científicos em diversas áreas das ciências humanas e sociais estão sendo produzidos em larga escala devido à originalidade que o tema aborda por conta dos seus anos de marginalização nas ciências.
A ideia da lei é exatamente essa: causar um impacto e promover uma revolução nas grades curriculares das escolas para que nossos filhos e netos possam reconhecer que a participação e colaboração dos índios e negros em nossa história foram tão importantes quanto a do homem branco. Além disso, cabe analisar um fenômeno que está crescendo e o que está sendo construído quando a educação no Brasil trilha esse caminho: a História nacional toma novas formas e tem novas perspectivas, colaborando para uma visão menos eurocêntrica e que corrige os erros da negação secular da participação desses povos em nossa história, além de contribuir para o reconhecimento e respeito das religiões ligadas a cultura dos mesmos, que anteriormente não eram estudadas. Colabora também para a maior inclusão e “aceitação” do negro e do índio na sociedade, no que tange, por exemplo, em assuntos como preconceito, cotas raciais, delimitação de terras indígenas e identidade.
As medidas visam à educação, pois mesmo com a participação de outros meios na construção do saber e da memória do aluno, como internet, TV e outros, a sala de aula permanece como espaço privilegiado para o trato com a memória e para formação da consciência histórica, principalmente no sentido de moldar as identidades vinculadas à nacionalidade. Porém, os professores de história dos ensinos fundamental e médio ainda são assombrados pelo fantasma das faltas de bibliografia básica e formação específica para incluir esses assuntos em suas aulas, já que a maior parte dos professores formados, principalmente nos anos anteriores a validação da lei, não teve contato com o estudo aprofundado dessas culturas nas faculdades, muito menos em suas formações escolares. Sabemos que não é fácil lidar com a situação, principalmente quando não se tem acesso as poucas instituições que promovem essa formação. Porém, podemos usar e abusar das tecnologias da comunicação e informação. Muitos materiais para consulta e para estudos já se encontram disponíveis na rede e os assuntos estão em alta nas discussões atuais. Promover debates e pesquisas em sala de aula permitindo que a História participe, de fato, da construção da memória dos alunos, rompendo com a negação cultural e histórica construída é a melhor forma de promover o cumprimento dessa lei, colaborando, dessa forma, para que os alunos de hoje sejam professores e cidadãos do amanhã que não tenham as mesmas dificuldades dos profissionais que lutam atualmente por essa inclusão.

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